sábado, 10 de outubro de 2009

Primeiras Palavras

Ao iniciar esta série de artigos, devo dizer que não tenho a menor pretensão de ser visto como um crítico de cinema. Ao invés, sou um apreciador, um aficcionado da sétima arte, um cinéfilo enfim.
Acostumado a frequentar as salas de projeção desde a mais tenra idade, as películas, a que assistia, me transformavam. Saia delas me sentindo uma pessoa diferente daquela que tinha adentrado as salas.
O cinema que mais me agrada é aquele das películas clássicas. Os filmes de hoje em dia, na sua maioria, são muito mais entreternimento do que arte, são muito mais efeitos técnicos do que sensibilidade. É claro que há grandes mestres nos maravilhando com suas obras atuais. É o caso , entre outros, de Woody Allen, de Pedro Almodóvar, de Zhang Yimou.
As cinematografias, que mais me impressionam, sem desmerecer a americana, a francesa, a sueca, a chinesa e a brasileira, são a italiana e a japonesa.
Tendo eu menos de dez anos de idade, meu pai me levava às salas de projessão para ver as comédias dos saudosos Aldo Fabrizi e Totó. No início, eu tinha um certo medo de olhar para a tela onde apareciam rostos enormes. Aos poucos, no entando, fui me ambientando com as fitas e, cada vez mais, apreciando o efeito que causavam sobre mim. Com o decorrer do tempo, comecei a valorizar o papel desempenhado pelos diretores italianos. Este fato se intensificou quando passei a ler todos os domingos as "Indicações da Semana", publicadas em O Estado de São Paulo pelo crítico e cineasta Rubem Biáfora.
Foi este crítico, com suas análises, quem me abriu os olhos para o cinema japonês. Além disso, aos dezoito anos de idade, eu estudava num curso preparatório para as escolas de engenharia, situado no bairro da Liberdade. Nesta região havia quatro cinemas que exibiam exclusivamente produções japonesas: Niterói, Joia, Nippon e Nikkatsu. Nessa época, então, eu me dividia entre as aulas de exatas e o humanismo das películas nipônicas. Ainda me lembro do primeiro filme a que assisti na rua Galvão Bueno, no Cine Niterói; tratava-se da primeira época de "A Espada Diabólica", fita que fazia parte de uma excelente trilogia dirigida por Tomu Uchida. Na noite, em que assisti a este filme, me senti um estranho fora do ninho sendo a única pessoa dentro do cinema que não apresentava feições orientais.
Habituado às salas de projeção, resisti quando foram lançados o VHS e o DVD. Com a "decadência" do cinema atual, as minhas idas às salas diminuiram sensivelmente. Por outro lado, as gravações em DVD traziam à nossa apreciação excelentes filmes. Muitos clássicos da sétima arte, alguns inéditos no Brasil e outros nunca mais reexibidos nos nossos cinemas, podem agora ser visto. Este fato, associado a ótimos extras, que acompanham o filme, e a restaurações muito bem feitas, fizeram com que eu aderisse de corpo e alma ao DVD.
Nos artigos, que pretendo desenvolver, vou comentar os lançamentos em DVD dos meus diretores prediletos. E começarei pelo cinema japonês, já que temos hoje disponíveis obras do cinema mudo deste país. Devo dizer que os diretores nipônicos de que mais gosto não são Akira Kurosawa e Kenji Mizogushi, embora reconheço o valor e aprecie vários filmes desses cineastas. Os meus prediletos são Mikio Naruse, Heinosuke Gosho, Tomu Uchida (embora não haja filmes gravados destes diretores) e Yasujiro Ozu, o maior dentre eles (imagem ao lado).
A partir do próximo artigo começaramos nossa análise escrevendo sobre as dez películas de Ozu, três delas da fase muda do cinema, que foram lançadas em DVD no Brasil.

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